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Os Jogos de Olímpia

Os Jogos Olímpicos eram a mais importante festa pan-helênica do mundo grego. Deles só podiam participar homens livres, de raça grega, e em pleno gozo de seus direitos de cidadão. Assim, como bem observa Manolis Andronicos, as Olimpíadas criavam condições para que os gregos, subdivididos em grupos que viviam em centenas de póleis (cidades-estados) independentes e em constantes atritos entre si, adquirissem consciência de sua unidade nacional.

 ruínas do templo de Zeus Os Jogos eram dedicados a Zeus, a divindade suprema, e aconteciam em seu santuário em Olímpia, na região de Élis, a oeste do Peloponeso. O santuário contava com o ginásio, a palestra, o estádio, o hipódromo, além de um hotel e dois templos, um de Hera e um de Zeus. Este era o maior templo da Grécia continental e possuía, em seu interior, a célebre estátua de Zeus, considerada pelos antigos uma das sete maravilhas do mundo.

A tradição grega associava às origens míticas dos Jogos Olímpicos dois grandes heróis: Pélope e Héracles. Quando Pélope chegou à região de Élis, vindo da Lídia com grande quantidade de tesouros, fez parada na cidade de Pisa, onde reinava Oinomaos. Esse rei tinha uma filha, Hipodâmia, que ele se negava a dar em casamento. Quando aparecia algum pretendente, o rei propunha-lhe uma disputa na corrida de carros. Se o pretendente vencesse, levaria Hipodâmia como prêmio; se, ao contrário, fosse derrotado, seria morto pelo rei. Pélope interessou-se pelo desafio. Àquela altura, o rei já havia dado a morte a doze pretendentes. Acontece que Hipodâmia se apaixonou por Pélope e tratou de favorecer o seu amado: convenceu por meio de suborno o cocheiro de Oinomaos a substituir os eixos do carro do rei por outros mais fracos, que se romperam durante a prova, causando a morte de seu próprio pai. Assim, Pélope conseguiu casar-se com Hipodâmia e instituiu jogos em honra do rei morto.

Depois de um certo tempo, esses jogos deixaram de ser celebrados. Coube, então, a Héracles reativá-los, em comemoração à sua vitória sobre Áugias, um rei de Élis possuidor de numeroso rebanho, cujo estábulo nunca havia sido limpado. Toda a vizinhança sofria com o mau cheiro que exalava de seus domínios; além disso, o solo já não produzia mais, tão grande era a quantidade de esterco que o cobria. A limpeza do estábulo foi realizada por Héracles. Do conjunto dos famosos Doze Trabalhos, esse foi o sexto. Acertado com o rei o preço da tarefa -- ele deveria receber uma décima parte do rebanho -- pôs mãos à obra: derrubou duas das paredes do estábulo e, a seguir, desviou os cursos de dois rios da vizinhança, cujas águas levaram todo o esterco. O rei, entretanto, negou-se a pagar o combinado e expulsou-o violentamente do território. Para vingar-se, Héracles organizou uma expedição contra Áugias, invadiu o seu reino e o matou.

Aconteciam em pleno verão, na semana de lua cheia do mês metagitnion (correspondente à segunda quinzena de agosto e primeira de setembro do nosso calendário). Foram celebrados regularmente a partir de 776 a.C., data do primeiro registro dos vencedores. A partir dessa data, os gregos adotaram os Jogos Olímpicos como referência cronológica, chamando "olimpíada" o período de quatro anos entre um festival e outro. A era das Olimpíadas se estendeu por aproximadamente 12 séculos, até 393 d.C., quando foram abolidos pelo imperador romano Teodósio, que, convertido ao cristianismo, proibiu os cultos pagãos.

 o lugar dos helanódices Os preparativos da festa começavam dez meses antes da abertura, quando se nomeava uma comissão organizadora, cujos membros, chamados helanódices (“juízes dos helenos”), além de assumirem todas as responsabilidades pela organização dos jogos, desempenhavam também a função de juízes. Algum tempo antes da abertura dos jogos, os arautos spondophóroi (“portadores da trégua) divulgavam por toda a Grécia a trégua sagrada, que suspendia as guerras por três meses, a fim de proporcionar uma viagem de ida-e-volta segura às pessoas que pretendiam deslocar-se para Olímpia. A partir do século IV a.C., a região de Élis foi proclamada inviolável. Entrar naquele território portando armas era sacrilégio.

O atleta inscrevia-se, nos prazos fixados, para as modalidades em que pretendia competir. Uma vez aceita a inscrição, ele devia comparecer a Olímpia dois meses antes do início dos jogos, para submeter-se a treinamento especial, sob o controle dos helanódices e do ginasiarca, a fim de que fosse confirmada ou alterada sua inscrição numa dada categoria, de acordo com sua idade e força física. Além disso, nesse período o atleta tomava ciência dos regulamentos das provas. Qualquer infração às regras acarretava pesadas multas e sanções não só ao atleta mas também à sua família. Os infratores perdiam a credibilidade, eram desmoralizados socialmente e não podiam participar de outros concursos.

Um mês antes do início das provas, helanódices e atletas, acompanhados de seus familiares e amigos, participavam de uma procissão solene que ia de Élis até Olímpia (58 quilômetros), pela Via Sagrada.

 sacrifício Os jogos duravam sete dias. O primeiro e o último eram dedicados a cerimônias religiosas. No primeiro dia, a cerimônia inicial era o juramento solene, no altar de Zeus; os helanódices juravam julgar as provas com eqüidade e os atletas juravam respeitar todos os regulamentos e agir com lealdade. A seguir, acontecia o sacrifício no altar de Zeus. Depois, todos seguiam para o estádio e os arautos declaravam a abertura oficial dos jogos. No dia do encerramento, organizava-se outra procissão e um banquete.

As provas consistiam em competições de exercícios corporais de força ou agilidade. Dividiam-se em concursos gímnicos e concursos hípicos. Os concursos gímnicos realizavam-se no estádio. Compreendiam: as corridas (simples, dupla, de fundo e com armas); o pugilato; o pancrácio e o pentlato. Os concursos hípicos aconteciam no hipódromo e compreendiam as corridas de carros e o hipismo. Além dessas provas atléticas, havia também concursos de tocadores de corneta e concursos de arautos, com a finalidade de premiar os que tivessem maior força e capacidade pulmonar.

A vitória implicava alta honra não só para o vitorioso, como também para sua família e para sua cidade natal. O arauto proclamava o seu nome, o nome de seu pai e o de sua pátria. Ele se tornava um Olimpiônico. Como prêmio material, recebia uma coroa de folhas de oliveira. O que importava mesmo era a aclamação do público. Sua cidade natal o recebia triunfalmente e os poetas, como Píndaro, o imortalizavam em canções que espalhavam sua fama por toda a Grécia. O nome do vencedor era inscrito no catálogo oficial dos olimpiônicos, conservado no ginásio. Se ele próprio ou os amigos tivessem recursos financeiros, contratava-se um escultor para fazer sua estátua, que seria colocada em Olímpia mesmo ou em outro lugar. Atenas recompensava os seus cidadãos vitoriosos em Olímpia patrocinando-lhes a alimentação pelo resto de suas vidas. Nos concursos eqüestres, o prêmio se destinava ao dono do carro ou do animal vencedor; contudo, a vitória era mais gloriosa quando o próprio dono participava da competição como condutor.

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